Como trocar o óleo do carro sozinho, com segurança
O passo a passo para trocar o óleo do motor em casa: ferramentas, como drenar o óleo velho, trocar o filtro, escolher o grau e a quantidade certos e descartar sem poluir.
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Trocar o óleo do carro é uma das manutenções mais simples de fazer em casa e também uma das mais importantes: é ela que determina a vida do motor. O óleo lubrifica, limpa e refrigera as partes móveis; quando envelhece e engrossa, o desgaste cresce e o que era uma troca de 45 minutos vira um motor desgastado.
Este guia serve para carros de passeio com motor a combustão, a gasolina, etanol ou diesel. O procedimento é praticamente o mesmo, mas os detalhes — posição do bujão, grau do óleo, tipo de filtro — mudam de um modelo para outro. Por isso a regra número um é: vá pelo manual, não pela memória. Se o seu carro usa anel de vedação no bujão ou filtro, compre o anel junto com o óleo.
Segurança primeiro: você vai lidar com óleo quente e com o carro suspenso. Espere o motor esfriar o suficiente e, se usar macaco, apoie o carro nos cavaletes antes de colocar qualquer parte do corpo embaixo. Óleo quente causa queimadura em segundos.
Antes de começar
Compre o óleo e o filtro usando o manual: o grau vem gravado na tampa do óleo, mas a quantidade e a especificação (a norma, como A5/B5 ou API SN) precisam ser conferidas no manual. Verifique também a ferramenta do bujão, porque alguns modelos usam uma medida diferente da chave do filtro.
- Óleo novo no grau, na quantidade e na especificação do manual (compre um pouco a mais, cerca de 10%, para completar o nível)
- Filtro novo e, se o seu carro usa, o anel de vedação do bujão
- Bandeja drenadora com capacidade maior que o volume do cárter
- Rampas, ou macaco e cavaletes (nunca só o macaco)
- Chave do bujão e chave do filtro
- Funil, panos, luvas e um papelão ou lona para não sujar o chão
Prepare o carro e aqueça o motor
Com o motor frio ou morno, ligue por 2 a 3 minutos só para o óleo fluir melhor — mas não deixe ferver, porque óleo quente queima. Enquanto isso, prepare os comandos de segurança: puxe o freio de mão, engate a primeira marcha (ou coloque em P, se for automático) e desligue o motor.
Levante e apoie o carro com segurança
Se tiver rampas, é o caminho mais simples: suba devagar e calce as rodas que ficam no chão. Se usar macaco, levante um dos lados e apoie no cavalete antes de qualquer coisa — o macaco só levanta, ele não sustenta. Nunca trabalhe com o carro apoiado apenas no macaco.
Localize o bujão do cárter e o filtro
O bujão de dreno fica na parte mais baixa do cárter, geralmente um parafuso de cabeça sextavada ou de cabeça 13 mm. O filtro costuma ficar na lateral do bloco; em alguns carros ele é acessível por baixo, em outros precisa ser desrosqueado com a chave própria. Confira no manual onde fica cada um no seu modelo.
Drene o óleo velho
Posicione a bandeja sob o bujão e, com a chave, gire o parafuso no sentido anti-horário para soltar. Quando ele estiver quase solto, segure-o com a mão de luva para não deixar cair na bandeja e retire-o por completo. O óleo sai em jato: afaste a mão e deixe escorrer até virar um fio fino, gire o carro no chão para nivelar e aguarde o término do gotejamento.
Enquanto escorre, limpe o bujão, verifique o anel de vedação e, se for descartável, troque-o.
Troque o filtro de óleo
Com a bandeja ainda embaixo, solte o filtro no sentido anti-horário usando a chave. Um filtro bem apertado se solta com mais força; se não romper, use a alavanca da própria chave, mas sem apoiar o corpo embaixo do carro. Passe uma camada fina de óleo na borracha de vedação do filtro novo, enrosque à mão e aperte firme, sem forçar além do necessário.
Recarregue no grau e na quantidade do manual
Enrosque o bujão e aperte firme, com torque moderado — não é preciso força de oficina. Use o funil para colocar até 90% do volume indicado no manual; o restante você completa na conferência. Feche a tampa do óleo, dê a partida, deixe o motor rodar por uns 20 segundos e desligue: isso circula o óleo pelo filtro e por todo o motor antes da primeira medição.
Confira o nível com o carro no chão
Abaixe o carro, espere cerca de 2 minutos para o óleo assentar, retire a vareta, limpe com um pano, reinsira até o fim e puxe a vareta de novo. O nível deve ficar entre as marcas de mínimo e máximo, de preferência mais perto do máximo, mas nunca acima dele. Se ficou abaixo, complete aos poucos e confira de novo, porque é fácil passar.
Descarte corretamente e confira se não vaza
Com o carro no chão, limpe qualquer respingo e confira se o bujão e o filtro estão secos. Dê uma volta de alguns quilômetros e, com o motor frio, olhe debaixo do carro à procura de manchas de óleo — se aparecer, é sinal de vedação ruim, e é preciso reapertar sem forçar. O óleo velho é muito poluente: nunca jogue no ralo, na rua ou no chão. Guarde-o com o filtro em um recipiente fechado e leve a um ponto de coleta, que é obrigado a receber.
Erros comuns que dão prejuízo
- Encher o motor sem saber a quantidade do manual. Você adiciona, depois tem que drenar para corrigir.
- Apertar demais. Rosca estourada no bujão ou no filtro exige substituir a peça e conserta-se com uma peça nova.
- Filtro do tamanho ou especificação errados. Um filtro inadequado pode não filtrar direito ou restringir a circulação de óleo.
- Esquecer o anel de vedação do bujão. Sem o anel, o bujão vaza.
- Jogar o óleo velho fora no lixo comum. É poluente e, em geral, ilegal — descarte em ponto de coleta.
- Deixar a próxima troca esquecida. O óleo perde viscosidade, vira borra e o motor inteiro sofre; anote a data e a quilometragem.
Depois da troca
Anote a quilometragem e a data da troca no adesivo do para-brisa ou no celular. Rode alguns quilômetros e confira a vareta com o motor frio. Se aparecer mancha de óleo no chão, volte a apertar o bujão ou o filtro com cuidado. Por fim, guarde o manual do carro em local acessível: cada modelo tem seus próprios pontos, grau e quantidade, e ter isso à mão evita a próxima troca errada.
Perguntas frequentes
De quanto em quanto tempo devo trocar o óleo?
O intervalo vem do manual do carro e do tipo de óleo. Em geral, o óleo sintético dura de 8.000 a 12.000 km e o mineral costuma pedir troca a cada 5.000 km ou 6 meses. Como cada fabricante define um limite próprio e o uso severo (muito trânsito, poeira, arrancadas) encurta o prazo, confie no manual antes de confiar em qualquer etiqueta.
Posso misturar graus de óleo diferentes?
Evite. Cada óleo tem um pacote de aditivos e uma especificação próprios, e misturar pode reduzir a proteção do motor. Se precisar completar o nível no posto, use o mesmo grau que já está no motor; se não souber, complete com um pouco do grau indicado no manual e faça a troca completa o quanto antes.
E se eu encher demais de óleo?
Nível acima do máximo também faz mal — o excesso é batido e espumado pelo virabrequim, vaza pelos retentores e pode até ser queimado. Se passou do limite, não dê partida com o tanque cheio demais; drene um pouco ou leve à oficina para ajustar antes de circular.
O que faço com o óleo velho?
Nunca jogue no ralo, na rua ou no chão — é altamente poluente e, em muitos lugares, o descarte errado gera multa. Guarde em recipiente fechado e leve a um ponto de coleta, como postos de combustível, autopeças ou centros de reciclagem, que costumam ser obrigados a receber óleo usado. Entregue junto o filtro e os panos impregnados.
Conteúdo informativo. Em situação de risco ou dúvida técnica, jurídica ou de saúde, procure um profissional.